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Plataforma de Telemedicina atrai 4.300 médicos em 5 dias

Ferramenta ajuda médicos a identificarem sintomas da Covid-19 nos pacientes em isolamento. Rede D'Or São Luiz investe na parceria.

Elaine Dotto - Miami, FL.

03/04/2020

| Atualizado em

03/04/2020

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Plataforma de Telemedicina atrai 4.300 médicos em 5 dias

Miami, FL - Desde que foi autorizada no Brasil, por portaria do Ministério da Saúde e  Projeto de Lei 696/2020 aprovado pelo Congresso e Senado, na última terça-feira, 31 de março, a telemedicina está ganhando força no País. A startup especializada em desenvolvimento de tecnologia para clínicas médicas, iClinic, que acaba de lançar uma plataforma de teleorientação e teleconsulta, já conta com com 4.294 médicos usuários em apenas cinco dias. 

Além de ser uma demanda antiga do setor, a tecnologia é muito importante neste momento de pandemia, pois contribui para o isolamento, ajuda médicos a identificarem sintomas da Covid-19 nos pacientes e também possibilita o atendimento de outros casos.

O CEO da iClinic, Felipe Lourenço, explica que a ferramenta de teleconsulta da empresa é diferenciada das tecnologias existentes no mercado por já nascer integrada ao prontuário da plataforma, o que aumenta a segurança do médico e facilita a experiência: “Além de ampliar acesso da população à saúde, a plataforma também é distinta por ser focada no médico da ponta e ter baixo custo”.

“Minutos antes da consulta, médico e paciente recebem por e-mail e SMS um link que dá acesso à sala virtual onde acontece o atendimento. O médico conta com duas seções para preenchimento: uma para anotações pessoais do profissional, que serão armazenadas diretamente no prontuário, e outra para orientações a serem enviadas ao paciente. Além disso, vídeo e áudio podem ficar armazenados no prontuário iClinic. Isso traz segurança jurídica ao médico e ao paciente. Além disso, para a prescrição de remédios que, em alguns casos exige assinatura digital, contamos com parceria com a empresa Memed e o paciente recebe a receita digitalmente em seu celular”, detalha o executivo.

Baixo custo

No período de lançamento, o médico interessado em aderir à tecnologia iClinic vai ter condições especiais de valores para conhecer a plataforma e seus benefícios. Além disso, quem ainda não for cliente, receberá gratuitamente a assinatura por dois meses um combo com alguns dos outros softwares da empresa, necessários para a completa gestão do consultório médico (recepção e prontuário). “Os usuários não pagam taxa de instalação, não há prazo de fidelidade e nem de duração do contrato. Acreditamos no produto e queremos fidelizar pela qualidade”.

A empresa também está doando sua tecnologia para determinados grupos de profissionais que estão atuando diretamente contra o surto da Covid-19 no País. “Até o fim de abril, a iClinic vai liberar gratuitamente a nova ferramenta para alguns grupos de profissionais e projetos sociais que estão trabalhando diretamente na linha de frente de combate ao coronavírus”, explica Lourenço.

Hoje a iClinic conta com quatro produtos específicos em sua plataforma: marketing médico; recepção (focado em agendamento de consultas); prontuário eletrônico (software utilizado para histórico e integrado à prescrição); e gestão (utilizado no faturamento de consulta e procedimentos com operadoras, recebíveis, contas a pagar e controle de estoque). “Por meio do iClinic Marketing mais de 300 mil pacientes foram impactados com orientações sobre a Covid-19”, acrescenta.

O executivo explica que a empresa já desenvolve um sistema de pagamento integrado. “Hoje o paciente pode pagar a consulta pelos meios tradicionais: transferência bancária, DOC e TED, ou ainda faturar para a operadora com uma foto da carteira do plano de saúde do paciente, mas, em breve, os médicos poderão receber por cartão de crédito e boleto”.

Embora a portaria libere a telemedicina durante a pandemia do novo coronavírus, Lourenço diz acreditar que o atendimento médico à distância no Brasil veio para ficar, já que é uma antiga demanda, tanto de médicos, quanto de pacientes. “A telemedicina já é realidade em muitos países, como os da Europa, China e Estados Unidos”, acrescenta Lourenço.

De acordo com o texto do Projeto de Lei, a telemedicina será autorizada para qualquer atividade da área da saúde. O uso de tecnologias de informação e de comunicação, como videoconferências, poderá ser destinado a serviços oferecidos por médicos de diferentes áreas para casos que não sejam de emergência ou que independem de exame físico, além de nutricionistas e psicólogos.

Ao todo, a startup já captou R$ 10 milhões em rodadas de investimento. Entre os investidores, há o executivo Pedro Moll, da família fundadora e controladora da Rede D'Or São Luiz, o maior grupo de hospitais do País.

(Foto: Divulgação)